segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A RENÚNCIA DE BENTO XVI E ELEIÇÃO DO NOVO PAPA PODE ENSINAR ALGO A NÓS, MINISTROS DA CGADB?

O eminente senhor Ratzinger, octogenário líder católico, que veio a ser papa desta reconhecida denominação religiosa, anunciou sua renúncia para dia 28 próximo; uma vez que no direito canônico, a renúncia anunciada não pode ser revertida, a espera do dia 28 é apenas protocolar; em termos práticos o papa renunciou hoje.

Este anúncio acaba por precipitar o processo de eleição de um novo papa. É uma eleição secreta e indireta, mas revestida de todo um simbolismo, afinal de contas o eleito será o líder religioso de mais de um bilhão de pessoas. Não deverá ser perfeita, nem sem sobressaltos. Mas...

Todo este turbilhão em torno destes acontecimentos, colocou-me numa profunda reflexão. Em que pese as diferenças doutrinárias e teológicas que separam a vida de um clérigo católico e um pastor protestante, temos em comum o fato de nos dedicarmos integralmente às questões da fé cristã e da alma humana. Essas reflexões produziram em minha mente algumas perguntas que gostaria de dividir com todos os leitores deste incipiente blog, especialmente os meus colegas de ministério filiados à nossa Convenção Geral, órgão máximo de nossa representatividade jurídica. 

Estamos na eminencia de uma eleição em nossa querida CGADB. Embora tenhamos três candidatos inscritos, todos sabemos que haverá uma verdadeira batalha entre as duas candidaturas que há anos se digladiam, para ocupar um posto de extrema importância para a nossa denominação. Diante de tantos vexames causados por essa disputa que já aparenta ser pessoal, eu me pergunto e gostaria que você também perguntasse a si mesmo:

a) Porque os únicos assuntos que são tratados em nossas AGOs com a relevância devida, são os que estão ligados à eleição?

b) Porque não se elenca na pauta, os assuntos doutrinários que são tão caros à igrejas e aos ministros, que nesse Brasil afora necessitam de uma posição mais clara da CGADB????

c) Porque não se trata do esfacelamento da denominação em ministérios, que muitas vezes não têm condição de serem sequer uma subsede, fato que faz produzir um batalhão de ministros ordenados, sem chamada, vocação e instrução, que num ciclo vicioso, produzirão novos ministérios com piores condições dos que os que os ordenaram????

d) Porque não se exige das convenções regionais uma posição clara na disciplina de obreiros e até presidentes de campos que transigem no cuidado com a doutrina bíblica, e vivem "namorando" novas teologias, tais quais a famigerada teologia da prosperidade???

e) Porque ao invés de se criarem novas convenções regionais, não se resolve as questões beligerantes, moralizando as convenções existentes, resolvendo a polêmica questão da territorialidade de cada uma, evitando as brigas causadas por um agir confuso, em que todo mundo abre trabalho em território de outrem, na maioria das vezes apoiando divisores e perturbadores da igreja?????

f) Porque a nossa querida CGADB não pode ter suas contas abertas para serem consultadas por todos os ministros que estejam em dia com seus deveres convencionais?

g) Porque  uma eleição que deveria ser regida por princípios bíblicos, beira e até supera as eleições mais sujas deste país, com denúncias de manobras, "crocodilagens" (desculpe a gíria, é que não achei outo termo), e até compra de votos e apoios políticos????

h) Porque as "campanhas políticas" dentro da entidade precisam expor nossas vísceras e não nossos corações transformados pelo amor de Deus, a quem de fato servimos?????

i) Porque os nobres concorrentes, pr José Wellington (a quem amo com amor cristão, pois foi meu pastor entre 1996 e 2000, e que me consagrou ao presbitério) e o pr. Samuel Câmara (que respeito pela história e até pelo seu "discipulador" pr Alcebíades Vasconcelos), não abrem mão desta disputa fratricida, em favor de uma convenção realmente Geral?

j) Porque não deixar florescer de nossas sazonais primaveras, botões que gerarão como frutos, líderes nacionais novos, que se de fato forem de um caráter merecedor da "tão desejada posição", saberão honrar seus antecessores, não desmerecendo o trabalho secular para que nossa denominação tivesse o alcance atual, nem desfigurando a nossa história manchada por lágrimas e ate com pequenas gotas de sangue?

PORQUE??? PORQUE??? PORQUE???

Queridos! Não me tenham por tendencioso ou pretensioso.  O que aqui grafei são perguntas sinceras de um jovem pastor, de uma bem pequena cidade do interior mineiro, mas que ama a Cristo e Seu reino, e tem apreço pela denominação que plantou em seu coração a semente do evangelho, e onde descobriu, acalentou e desfruta de sua vocação. 

Que o Senhor nos dê paz!!!


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O QUE ESTÁ POR TRÁS DA RENUNCIA DO PAPA.


O mundo acordou hoje tão surpreso quanto ficou, ao ver a fumaça branca surgir da Capela Sistina, e ecoar a famosa expressão "Habemus Papam" ("Temos Papa" em português) em abril de 2005, quando Ratzinger de 78 anos, foi eleito papa, tendo escolhido como nome Bento XVI.

Ratzinger, homem culto, fluente em alemão, italiano, francês, latim, inglês, castelhano  possui conhecimentos de português, lê o grego antigo e o hebraico; é também membro de várias academias científicas da Europa. É pianista e dirigiu a Congregação para a Doutrina da Fé, órgão substituto do Tribunal do Santo Ofício, ou como queira, a Santa Inquisição.

Este artigo não tenciona fazer crítica à decisão do papa em renunciar, a primeira renúncia em quase 600 anos; acho até um ato de nobreza da parte de Ratzinger em favor da sua denominação. Mas gostaria de opinar sobre o que considero serem as razões para tal decisão. Vejamos:

1. A perda de influência política do papado. O papa, que em séculos passados exerceu uma influência política tão grande a ponto de praticamente nomear Reis e imperadores, viu a influência do papado ser carcomida por fatos que o catolicismo não se preparou para enfrentar; situações como  a diminuição das monarquias absolutas em razão de proclamações de repúblicas em volta do mundo; o aumento das monarquias constitucionais (em que os reis são quase objetos decorativos); o aumento da democracia em diversos países; o aumento da alfabetização no terceiro mundo e outros tantos fatos que poderíamos citar. 

2. A evasão de católicos para outras denominações, religiões e até o ateísmo. O mundo vive um aumento de espiritualidade; até os que não confessam fé alguma sentem-se pressionados a expor que são ateus. Isto tem tido efeito em todas as denominações religiosas; no meio dos evangélicos, especialmente no Brasil, produz as mudanças constantes de membros "igrejas" e o surgimento de igrejas que vão aos poucos deturpando e até ridicularizando o evangelho; mas para o catolicismo este fato tem sido catastrófico! Para se estabelecer um parâmetro do efeito, os padres midiáticos aumentam a cada dia, o movimento de Renovação Carismática copia claramente a liturgia de cultos evangélicos, e até "treina" católicos para falar línguas estranhas, algo evidentemente retirado da teologia evangélico-pentecostal. Essa mudança de posição tem um claro propósito: trazer de volta aos ritos católicos os católicos não-praticantes e evitar quer os praticantes se evadam para outras igrejas ou religiões.

3. O crescimento do Islamismo no mundo. É evidente que o crescimento do Islamismo tem, além de razões históricas como as Cruzadas, o fator fecundidade, pois o islamismo incentiva seus praticantes a terem muitos filhos e assim aumentar o Islã. Mas três fatos acenderam a luz amarela no vaticano: a) O Islã teve taxa de crescimento assustadora no ocidente; pra se ter ideia, o Islã há 40 anos, no Brasil, o Islã era uma religião de imigrantes do oriente, hoje tem no país quase 3.000.000 de adeptos. b) Nos países asiáticos e africanos, o Islã apropriou-se do discurso de combate à miséria, antes uma arma do catolicismo; no ocidente, o Islã arrebanha adeptos com um discurso social de igualdade entre as raças e da religião como um estilo de vida e de solidariedade. (Evidente que não estou defendendo ou justificando o Islamismo, mas apenas citando fatos claramente comprovados por números estatísticos e estudos antropológicos).

4. A falta de uma linguagem clara dos princípios teológicos da fé católica. É fato que o catolicismo sempre teve dificuldade para trazer os seus princípios dogmáticos à compreensão geral do povo; Chegou a celebrar missas em latim! Quantas pessoas você conhece, que ao menos entende latim? Um outro problema é a dificuldade que o católicos comuns, especialmente os mais jovens, têm em entender ou expor os dogmas do catolicismo; raramente encontro católicos que saibam expor os sete sacramentos do catolicismo, assuntos tais quais mistérios gozosos, dolorosos e gloriosos do terço, e outros tantos dogmas que fazem parte da doutrina católica. Isto acaba por produzir um abismo entre a teologia doutrinal e a teologia prática dos católicos. Neste particular as igrejas evangélicas são beneficiadas por uma linguagem mais popular dos seus pastores e pelo incentivo à leitura, tanto da bíblia quanto de livros devocionais.

 Ratzinger, como homem culto e consciente que é, tem a clareza da situação; sabe que a empreitada é grande demais para um homem de 86 anos, que além de não possuir vigor físico enfrenta todos as demais limitações de sua idade; ele também não parece querer mudar seus métodos e até abrir mão de princípios pessoais construídos durante anos e anos de ministério presbiteral e de cardinalato.

Que sua atitude, e os fatos que o levaram a toma-la, possam ser pedagógicos para quem exerce o ministério. Aprendamos com todos, tanto com as pessoas com quem concordamos, quanto com as de quem discordamos.
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Governador Valadares, Minas Gerais, Brazil
Jonatas de Oliveira, casado com Adiléia Portugal desde 1997, pai de Isaac Anthony e Déborah Cissa; aceitou a Cristo em 1979 e foi batizado em janeiro de 1988; separado ao ministério em São Paulo na Assembléia de Deus - Ministério do Belém em janeiro de 2000, tem desde então pastoreado em Aparecida de Goiânia-GO, Belo Horizonte-MG, Francisco Badaró (no Vale do Jequitinhonha), Periquito-MG, Capitão Andrade-MG, e atualmente em Governador Valadares, onde serve tambem como segundo secretário do Ministério.

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